A escalada do dólar, que já atingiu a maior cotação desde abril de 2016, está levando o turista a pesquisar mais por uma viagem, a optar por pacotes fechados que incluam hospedagem, alimentação, passagem aérea e passeios, e a escolher destinos da América Latina como uma forma de driblar o alto custo da viagem, de acordo com a Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav).

O dólar está cotado a R$ 3,679, alta de 11,03% no ano, até quarta-feira (16); o dólar turismo vale R$ 3,84 (sem IOF).
O euro vale R$ 4,34, alta de 9,57% no ano; já a libra, se valorizou 10,93% no ano, para R$ 4,96.
A Abav ainda não tem estatísticas que mostrem esse movimento de ajuste- que deve aparecer no balanço das operações no segundo trimestre. Mas a percepção de agências de viagens e turistas ouvidos pelo G1 é de que os brasileiros não desistiram de viajar, mas já começaram a ajustar seus planos para manter tudo dentro do orçamento.

“A primeira percepção é a dificuldade na tomada de decisão diante da alta do dólar. O passageiro continua querendo viajar, mas fica indeciso na hora de pagar, e pesquisa mais. [Quando decidem], A alta cambial acaba sendo diluída em um pacote que pode ser divido em até 10 vezes e é pago em real com a cotação do dia, para as viagens internacionais”, diz Magda Nassar, vice-presidente da Abav.

Segundo ela, o passageiro opta por pacotes mais curtos, tirando alguns dias da estadia, e por hospedagens mais modestas, como hotéis com menos estrelas ou hostel e similares.

Os servidores públicos do Paraná Chayene Cristine Demarco, 34 anos, e Héris Rosa, 42, mantém o plano de viajar em setembro rumo aos EUA levando a filha Francesca, de 5 meses. Com as passagens já compradas, o casal programou as hospedagens nas casas de amigos e resolveu adequar os deslocamentos entre as cidades para economizar.

“Vamos alugar um carro em vez de comprar passagem aérea. Vai sair mais em conta e teremos mais conforto, por causa da bebê”, explica Chayene. “Também costumamos fazer sanduíches para comer durante o dia em passeios”, conta.

Viagem mais ‘curta’
A assessora da Prefeitura de Belém (PA) Gabriela Dutra, de 31 anos, e o analista de sistemas Gustavo Costa, de 32, começaram a planejar uma viagem com a família dele há 6 meses — um presente de aniversário para a mãe de Gustavo. Junto com eles, vão também o pai e um irmão do rapaz.

A ideia era passar por Roma, Paris e Lisboa, em grupo, e viajar a dois para Alemanha e Rússia, incluindo um jogo do Brasil na Copa do Mundo, para o qual já têm ingressos.

No entanto, a alta do dólar atrapalhou o plano do casal. Com a primeira parte da viagem já comprada, a opção foi cancelar passeios como a visita à Disney de Paris e — o mais sofrido para eles –, cancelar o trecho em que viajariam a dois, que incluía a Copa, e vender os ingressos. Pelo menos esta é a decisão da Gabriela. Gustavo diz que ainda mantém “1% de esperança” de conseguir esticar a viagem até a Rússia e assistir a seleção em campo.

Fonte: G1

Responda