Os nomes de Cazuza (1958 – 1990) e Renato Russo (1960 – 1996) costumam encabeçar listas dos compositores mais importantes do pop rock feito no Brasil pela geração projetada a partir da década de 1980. Arnaldo Antunes também costuma ser eventualmente lembrado, embora o cancioneiro autoral do compositor paulistano somente se dissocie da criação coletiva do grupo Titãs após Arnaldo deixar a banda em 1991 para pavimentar obra solo iniciada em 1993.

Herbert Vianna – em foto de Maurício Valladares – nem sempre é lembrado. Contudo, o cancioneiro criado pelo compositor carioca, dentro e fora do grupo Paralamas do Sucesso, está entre o que de melhor se produziu na música pop do Brasil a partir dos anos 1980.

É possível que a obra autoral de Herbert Vianna seja reavaliada com a devida importância ao ser abordada pelo grupo carioca Biquini Cavadão em disco que começa a ser gravado neste mês de maio de 2018 com produção de Liminha.

Tal valor talvez tenha sido minimizado até então porque o compositor também produz canções de amor de letras apaixonadas, nunca óbvias ou banais. Mas são nessas canções enquadradas em moldura pop romântica – casos de Caleidoscópio (1987), Derretendo satélites (1998, em parceria com Paula Toller), Lanterna dos afogados (1989), Meu erro (1984), Nada por mim (1985, outra pérola pop lapidada com Paula Toller), Quase um segundo (1988) e Se eu não te amasse tanto assim (1999, com letra de Paulo Sérgio Valle), entre outras – que o compositor se revela melodista inspirado, refinado, pairando acima da média de criadores de canções do gênero.

Contudo, o cancioneiro de Herbert Vianna extrapola rótulos. O compositor foi pioneiro na mistura da linguagem do rock com a música brasileira em Alagados (1986, tema assinado com Bi Ribeiro e João Barone, amigos com quem integra o trio Paralamas do Sucesso desde o início dos anos 1980), se banhou com elegância na praia do reggae em composições como Ela disse adeus (1998), focou a vaidade juvenil do rock em Óculos (1984) e disparou explosivos petardos políticos como O calibre (2002) e Pólvora (1989), entre outras proezas autorais.

É fato que o grave acidente que deixou o artista preso a uma cadeira de rodas desde 2001 diminuiu o fluxo criativo do compositor e embaçou um pouco o brilho da obra apresentada desde então. Mas a dimensão dessa obra já é suficientemente grande em quantidade e qualidade para inserir o nome de Herbert Vianna na lista dos maiores compositores do pop brasileiro.

Resta torcer para o Biquini Cavadão – grupo batizado por Herbert, aliás – honre essa obra no álbum previsto para ser lançado no segundo semestre deste ano de 2018.

Fonte: G1

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