Se você está em busca de um encontro, aplicativos como OkCupid, Happn e Tinder são algumas das principais opções disponíveis na web atualmente. Contudo, nem todo mundo tem tempo para investir em uma abordagem online para tentar descolar um encontro casual ou mesmo algo mais sério.

Diante desse cenário, uma nova profissão emerge: assistente de paqueras virtuais. Um texto publicado hoje pela redatora Chloe Rose no site Quartz traz um relato em primeira pessoa da experiência de alguém que ganha dinheiro para ajudar pessoas endinheiradas a se darem bem no Tinder.

Após ver o anúncio de uma vaga em novembro de 2017 procurando “pessoas com boas habilidades no Tinder”, ela se candidatou e foi selecionada. Na entrevista, Rose foi questionada sobre sua “flexibilidade ética”, com destaque para perguntas que envolviam a sua disposição em trabalhar em uma “área cinza moral” e também em avaliar clientes com base em fotografias.

Terceirizando a paquera
O processo resultou na seleção para trabalhar como “Closer” na ViDA (Virtual Dating Assistants), uma assessoria de encontros virtuais. A ocupação poderia ser traduzida como “aproximadora”, afinal o seu trabalho consite em assumir o perfil de um usuário do Tinder que contratou os serviços de sua empregadora.

Logada na conta de um sujeito de 45 anos que contratou a ViDA para terceirizar a sua paquera online, por exemplo, ela precisa conversar com mulheres que deram match com ele na plataforma, enviando fotos das moças para a central de dados da empresa. A cada número de telefone que consegue de uma parceira em potencial, Chloe Rose recebe US$ 1,75.

Além dos “Closer”, há outro tipo de vaga disponível na ViDA, a de “Profile Writers” (ou Escritores de Perfis). Menos invasiva, digamos assim, ela consiste em apenas dar um tapa no perfil virtual de um usuário de serviço de encontros a fim de torná-los mais atraentes para quem topa com o seu perfil enquanto desliza o dedo pela tela do Tinder.

Não é difícil imaginar o que é necessário para trabalhar como um profissional na área de assistentes de encontros virtuais. Rose conta que ser capaz de seduzir as pessoas com palavras é o principal elemento — obviamente ao lado da questão da flexibilidade ética citada anteriormente. Além disso, a ViDA conta com alguns manuais escritos pelo seu próprio fundador, Scott Valdez, “um especialista em encontros autodidata com experiência em vendas”.

Atualmente, a companhia conta com 80 funcionários trabalhando para conquistar encontros para 2.500 clientes, a maioria homens com idade entre 28 e 52 anos (a média é de 30 anos, afirma o seu fundador). Um terço dos contratantes seriam mulheres, comenta Valdez, e 100% da clientela tem mais dinheiro do que tempo disponível.

Nem tudo são flores
Se quem contrata está satisfeit, os trabalhadores nem tanto. Segundo Chloe Rose, seus colegas costumam ter problemas com a flexibilidade moral exigida pela plataforma e se sentem como redatores de marketing tentando vender alguma coisa. Um dos funcionários deixou de ser Closer para se tornar Profile Writer porque o trabalho como aproximador é visto por ele como “o lado sombrio” da coisa.

E não é difícil supor de onde vem essa sensação: você investe seu conhecimento e suas habilidades de conquista em uma pessoa que, na verdade, vai se relacionar com outra. Em suma, você “vende” um produto que nem sempre existe e provavelmente não será correspondido a partir do momento em que a coisa sair do Tinder e passar para as mãos do cliente que contratou o serviço.

Em suma, mais um dilema moral (e uma profissão um tanto quanto curiosa) oferecido pela internet.

Fonte: TecMundo

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