O secretário de Segurança do Rio de Janeiro, general Richard Nunes, classificou como “nefasto” o vazamento de informações relacionadas às investigações sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes. Segundo ele, isso retarda o trabalho policial e coloca vidas em risco.

As críticas foram feitas pelo general nesta sexta-feira (11) durante entrevista à rádio CBN. Ele se referiu à revelação em reportagem do Jornal O Globo de que um delator envolveu o vereador Marcello Siciliano (PHS) e o ex-policial militar Orlando Oliveira de Araújo no crime.

“Esse vazamento foi nefasto, porque, de certa forma, nós trabalhávamos sim com esses dados aí para podermos, com inteligência, produzir provas necessárias para indiciar os autores desse crime”, afirmou o general.
Nunes enfatizou que “a possibilidade de participação de integrantes da milícia sempre foi uma das hipóteses que nós levantamos”, mas afirmou que não existe “uma linha principal de investigação”. Além disso, disse que o vazamento pode provocar atraso na conclusão do inquérito.

“Quando surge um vazamento como esse, nós temos que reorientar nossa estratégia de investigação. E isso nos causa um retardo”, destacou o secretário.

Nunes disse, ainda, que a revelação dos dados sigilosos “coloca vidas de pessoas em risco e isso é o mais grave”. Questionado se o delator está sob proteção policial, o general afirmou que sim. “Com toda certeza. Principalmente após o vazamento”, disse.

Sobre a reconstituição do assassinato de Marielle e Anderson, realizada entre a noite desta quinta-feira e a madrugada desta sexta-feira, Richard Nunes disse que ela não significa que as investigações já estejam chegando ao fim. Esclareceu que o trabalho contribuirá com o esclarecimento do caso, mas que ainda é necessário a produção de mais provas para apontar quem foram os mandantes e executores do crime.

“O que é mais prudente é manter o sigilo e continuar trabalhando para produzir provas”, disse.

Reforço nas polícias
O general Richard Nunes adiantou que o estado voltará a pagar, a partir do dia 16 de maio, o Regime Adicional de Serviço (RAS), que regulamento o pagamento de horas extras aos agentes da Segurança Pública do estado. Segundo o secretário, a medida permitirá o reforço diário de 1,5 mil agentes, entre policiais militares e civis, nas ruas e delegacias.

O secretário disse, ainda, que o próximo passo será a convocação de cerca de 1,1 mil aprovados no concurso da Polícia Militar de 2014, além de 96 papiloscopistas aprovados no concurso do mesmo ano da Polícia Civil. Nunes não adiantou a data da convocação, mas se disse otimista de que aconteça ainda neste semestre. “Acredito que [serão chamados] em curtíssimo prazo”.

Fonte: G1

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