Nos últimos dias, acompanhamos o final da saga da Tiangong-1, também chamada de Palácio Celestial 1, e nesta segunda-feira (2) ela deu seu último adeus. A estação espacial chinesa, lançada em 2011, ficou descontrolada em 2016 e finalmente reentrou na Terra, para se desintegrar na região Sul do Oceano Pacífico, às 22h15 deste domingo, pelo horário de Brasília (às 8h15 desta segunda, pelo horário de Pequim).

A Agência de Engenharia Espacial Tripulada da China chegou a divulgar que os destroços da estrutura de 10,4 metros e 8,5 toneladas poderiam atingir a costa de São Paulo — e isso causou um momentâneo alvoroço. O trajeto também foi monitorado por setores militares dos Estados Unidos e pela Agência Espacial Europeia.

Brad Tucker, astrofísico da Universidade Nacional Australiana, disse que a reentrada de Tiangong-1 foi bem-sucedida, embora fosse melhor se ela não estivesse girando em direção à Terra durante a queda. “Poderia ter sido melhor, obviamente, se não estivesse caindo, mas aterrissou no sul do Oceano Pacífico, e é como se você esperasse que fosse parar. Ela está caindo e girando por um tempo, o que significa que, quando realmente começa a cair, podem acontecer coisas imprevisíveis.”

NW of Tahiti – it managed to miss the ‘spacecraft graveyard’ which is further south! pic.twitter.com/Sj4e42O7Dc

— Jonathan McDowell (@planet4589) 2 de abril de 2018
“A maior diferença disso é que, à medida que colocamos mais coisas no espaço, em todos os países, precisamos estar cientes de que precisamos planejar esses tipos de problemas que estão acontecendo”, alertou.

Orgulho chinês no espaço
Muitos chineses se emocionaram com o evento por se tratar de uma vitória simbólica do país — que vem se estabelecendo como potência mundial em tecnologia, e a Tiangong-1 representa o avanço no setor de exploração espacial. “Adeus, Tiangong-1. Você é nossa heroína”, disse um usuários do Weibo, o equivalente ao Twitter. “Vamos aproveitar este momento para aplaudi-la. Desta vez, é realmente um adeus”, escreveu o jornal Toutiao News, de Pequim.

Assim como acontece com vários outros detritos espaciais, a maior parte da Tiangong-1 se desintegrou ao entrar em fricção com a atmosfera e ainda não há detalhes sobre o restante que tocou o solo. E o tabloide Global Times já aproveitou para cutucar o resto do mundo. “É normal que uma nave retorne para a atmosfera, no entanto, a Tiangong-1 recebeu tanta atenção porque alguns países ocidentais vêm tentando estimular barreiras para o rápido crescimento da indústria aeroespacial na China.”

Da Tiangong-1 para o futuro com a Tiangong-2
O primeiro Palácio Celestial espacial chinês voou em 2011, como símbolo da prosperidade do programa espacial do país, que pretende manter uma estação espacial permanente na órbita terrestre até 2023. Era para retornar em 2013, mas em 2016 a China teve que admitir que já não tinha mais comunicação com a missão não tripulada.

Desde dezembro do ano passado, especialistas e entusiastas vinham então tentando descobrir quando e onde os destroços iriam chegar ao solo. A expectativa era de apenas 10% da estrutura, que tinha mais ou menos o tamanho de um ônibus escolar, pudessem sobreviver à queima na reentrada.

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Agora, os chineses se dedicam à Tiangong-2, que continua lá em cima, depois de seu lançamento em 2016. Ela possui carga e aplicações científicas, a bordo de um laboratório que pode testar sistemas avançados de suporte à vida, funções de reparo e manutenção e capacidade de reabastecimento — tudo para sustentar a presença humana.

Fonte: G1

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