Caminhoneiros seguem protestando nesta segunda (28) em ao menos 25 estados e no Distrito Federal, mesmo após decisão do presidente Michel Temer de reduzir o diesel por 60 dias e atender outras reivindicações da categoria.

Entre as medidas anunciadas neste domingo (27) por Temer estão a redução temporária de R$ 0,46 no preço do litro do diesel e a isenção de pagamento de pedágio para eixos suspensos de caminhões vazios. “Panelaços” foram ouvidos durante a fala do presidente.

Entidades que representam caminhoneiros aprovaram as medidas, mas disseram que precisam de tempo para desmobilizar os motoristas parados nas estradas. A Petrobras reduziu o preço da gasolina em 2,8% nesta segunda-feira.

Muitos serviços essenciais continuam restritos por causa da greve; veja a seguir:

Aracaju: frota 30% menor
Belo Horizonte: redução de 50% fora do horário de pico
Goiânia: frota 15% menor
Cuiabá: frota 50% menor
Campo Grande: frota 15% menor
Florianópolis: operação com horários de sábado
João Pessoa: frota 30% menor
Natal: frota reduzida
Palmas: frota 5% menor
Porto Alegre: frota reduzida fora do horário de pico
Recife: demora nos pontos
Rio de Janeiro: frota 60% menor (BRT 65%)
Salvador: frota 40% menor
São Luís: frota 30% menor
São Paulo: frota 30% menor (rodízio suspenso)
Os caminhoneiros autônomos seguem bloqueando os acessos ao Porto de Santos, no litoral de São Paulo.

Aeroportos
Na manhã da segunda-feira, ainda estavam sem combustível 7 dos 54 aeroportos administrados pela Infraero:

São José dos Campos (SP)
Uberlândia (MG)
Campina Grande (PB)
Juazeiro do Norte (CE)
Aracaju (SE)
João Pessoa (PB)
Teresina (PI)

Combustível
O reabastecimento dos postos ainda não foi normalizado. Em diversas cidades pelo país, há filas nas poucas bombas que ainda possuem combustível. Mesmo onde a mobilização foi encerrada, a oferta nos postos deve levar dias para ser normalizada, segundo o ministério de Minas e Energia.

Algumas refinarias ainda estão com acessos bloqueados e a polícia está escoltando os caminhões-tanque para garantir o abastecimento. Veja como está a situação nas refinarias do país.

No Ceará, o abastecimento nos postos de Fortaleza foi normalizado nesta segunda-feira.
Em Alagoas, o porto de Maceió foi liberado, as alguns postos ainda estão fechados e os preços variam muito onde há combutível.
No Espírito Santo, cerca de 80 postos receberam combustível e o domingo foi de fila para motoristas que quiseram garantir o abastecimento para a semana.
Cerca de 70% dos postos de Goiás estão sem combustível. Na capital, 90% dos postos estão sem etanol e 35% está sem etanol e gasolina.
No Maranhão, 30 de 250 postos conseguiram abastecimento no domingo.
No Mato Grosso do Sul, cerca de 80% dos postos de Campo Grande foram abastecidos.
Abastecimento está normalizando na capital do Pará, após o fim da interdição no porto de Miramar.
Na Paraíba, a situação está mais complicada em Campina Grande, onde não havia posto com combustível na manhã desta segunda-feira. Em João Pessoa, as filas estão grandes.
O governo de Pernambuco informou que 30 caminhões saíram do Porto de Suape com escolta para reabastecer os postos.
Com 90% dos postos sem nada na capital do Piauí, a prefeitura de Teresina decretou situação de emergência.
Na capital do Rio Grande do Sul, pouco mais de 30 de 280 postos possuem combustível.
No Distrito Federal, a Polícia Militar escoltou 47 caminhões-tanque na manhã desta segunda-feira.
Em Rondônia, a capital foi reabastecida com gasolina e diesel, mas no interior continua sem. Em Ariquemes, o reabastecimento de um posto durou apenas 2 horas.
Em Santa Catarina, distribuidoras ainda estão bloqueadas – apenas caminhões para polícias, bombeiros e tranporte público são liberados. Dos 295 municípios, 254 relataram problemas.
Desabastecimento atinge 95% dos postos de todo o Tocantins. Palmas está sem desde quinta-feira.
Em Sergipe, alguns postos ainda têm dificuldades, enquanto um limitou as vendas em R$ 100 para atender mais motoristas.
Em Piracicaba, no estado de São Paulo, um motorista diz ter ficado 12 horas na fila para abastecer. A cidade de Birigui decretou estado de emergência.

Educação
Em ao menos 13 estados não há aula nas universidades federais: Bahia, Maranhão, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rondônia, Santa Catarina, Sergipe, São Paulo e Tocantins. Não haverá aula na rede estadual de ensino em diversos estados e também no Distrito Federal.

São Paulo: USP, Unesp, Unicamp e Unesp suspenderam aulas; Etecs e Fatecs delegaram a cada unidade avaliar se as atividades são mantidas ou não. Veja a situação na região de Piracicaba e na Baixada Santista.
Paraná: cada setor da UFPR decide se vai parar. Na Universidade Tecnológica Federal todas as aulas estão suspensas, assim como nas unidades da PUC-PR em Curitiba, Londrina, Maringá e Toledo. Veja as demais instituições do estado.
Maranhão: Ufma, Uema, Ceuma, UNDB, Estácio e Pitágoras suspenderam as aulas.
Salvador: universidades estaduais e federais cancelaram as aulas, assim como escolas da capital e região metropolitana.
Goiás: aulas na rede estadual estão mantidas, mas professores da UFG vão “flexibilizar” o registro das faltas e vão evitar atividades para nota.
Distrito Federal: na rede pública, apenas creches funcionam. No ensino superior, Universidade Católica, Iesb, UDF e Anhanguera suspenderam as aulas. UnB e UniCeub funcionam normalmente.
Mato Grosso: UFMT está completamente parada, as aulas da rede estadual foram suspensas e outras instituições declararam ponto facultativo.
Minas Gerais: UFMG, faculdades particulares, escolas públicas e privadas não têm aulas.
Pará: aulas na Ufra suspensas em Belém, Capanema, Capitão Poço, Paragominas, Parauapebas e Tomé-Açu.
Paraíba: algumas faculdades determinaram ponto facultativo, outras suspenderam as aulas. Veja quais escolas estão afetadas.
Pernambuco: expediente na UFPE, IFPE, UPE e UFRPE seguem cancelados, assim como em algumas universidade particulares. Aulas na rede estadual estão mantidas.
Rio de Janeiro: as 5 maiores universidades públicas estão com aulas suspensas. Estácio de Sá, Cândido Mendes, ESPM, IBMR e Veiga de Almeida também não abrem as portas. Rede municipal não opera, mas escolas estaduais abrem normalmente.
Rio Grande do Sul: pelo menos 10 universidades começam a semana sem aulas. O ensino básico em Porto Alegre funciona.
Santa Catarina: unidades das redes pública e privada estão com funcionamento interrompido. Veja a lista
Sergipe: escolas da rede estadual estão fechadas no estado, mas alunos da rede municipal de Aracaju têm atividades normais. A UFS suspendeu as aulas.
Tocantins: UFT, Unitins e IFTO anunciaram suspensão. Em Araguaína, aulas na rede municipal serão suspensas a partir da terça-feira (29). Em Palmas, a rede municipal funciona.

Alimentos
Assim como os combustíveis, os mercados e feiras também devem levar algum tempo para retomar a oferta normal de alimentos nos lugares em que o tráfego já foi liberado.

O abastecimento de carne de aves e suínos pode demorar até dois meses para se normalizar depois que for encerrada a greve, segundo os produtores. Nos lugares onde ainda há itens frescos, o preço aumentou.

Rio de Janeiro: em vez de deixar vazio o setor de frutas e hortaliças, um mercado em Niterói ocupou as prateleiras com café e torradas.
Espírito Santo: caminhões com alimentos voltaram a entrar nas centrais de abastecimento.
Goiás: abastecimento no Ceasa está comprometido em 30%, e uma loja do McDonald’s fechou as portas por falta de produto.

Mato Grosso do Sul: a Ceasa-MS recebeu 40 caminhões, mas ainda tem preços elevados.
Pará: central recebeu na madrugada coentro, quiabo, couve, caruru, chicória, vagem, mamão, abacaxi, laranja, ovo, cebolinha, jambu, pimenta de cheiro.
Paraíba: situação crítica na capital e interior. Preço da batata já aumentou cerca de 200%.
Pernambuco: dos 540 caminhões previstos para abastecer o Ceasa/PE, chegaram 185 até as 6h30 desta segunda-feira.
Rio de Janeiro: nenhum caminhão chegou na Ceasa até às 7h.
Rondônia: estoque de frutas e vegetais no estado está quase zerado, segundo o sindicato. O prejuízo para o setor é estimado em R$ 1 milhão.
Santa Catarina: o desabastecimento está em torno de 85% na Ceasa.
Tocantins: na maioria dos supermercados das principais cidades não há mais verduras e frutas. Na Ceasa, itens como ovos, batata, cebola, cenoura estão em falta.

Saúde
Uma carta assinada por 106 hospitais privados em todo o país informou não ser mais possível garantir o cuidado a pacientes a partir desta segunda-feira (28) se a paralisação continuar.

As entidades citam dificuldade de acesso para médicos e funcionários, além de falta de alimentos, ambulâncias paradas, problemas no recolhimento de lixo.

Os hospitais e unidades de saúde públicos já sofrem com falta de combustível e materiais, o que causa cancelamento de cirurgias agendadas e outros atendimentos:

São Paulo: cirurgias eletivas nos hospitais municipais estão adiadas, para guardar insumos para os atendimentos de urgência e emergência. Também está suspensa a remoção de pacientes para exames eletivos e de rotina nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).
Goiás: ambulâncias do Samu e hospitais têm condições de operar até sábado (2), mas algumas cirurgias eletivas foram suspensas no interior do estado por falta de insumos.
Distrito Federal: suspendeu atendimento primário nas UBS, ambulatórios de especialidade e cirurgias programadas. Os servidores dessas áreas vão reforçar urgências e emergências.
Minas Gerais: cirurgias agendadas foram suspensas e ambulâncias circulam com restrição.
Rio de Janeiro: cirurgias eletivas estão suspensas na rede estadual, estoque de sangue está baixo no Hemorio com falta de doadores.
Santa Catarina: cirurgias agendadas estão suspensas na rede estadual e em 15 hospitais particulares ou filantrópicos.
Outros serviços
Correios: cerca de 85% das correspondências não foram entregues no Espírito Santo.
Gás de cozinha: em Goiás, 95% das distribuidoras registram a falta do produto, que já chega a R$ 100. Na Paraíba, o preço do botijão bateu R$ 130. Em Pernambuco, o exército está escoltando caminhões com gás. No Distrito Federal, a situação só deve normalizar no fim de semana.
Coleta de lixo: algumas regiões de Belo Horizonte não terão coleta nesta segunda. No interior, do Rio GRande do Sul, algumas cidades também suspenderam a coleta. No ABC paulista, a operação dos caminhões de lixo em São Bernardo do Campo e Santo André foram impactadas.
Telefonia e internet: empresas de telecomunicação dizem que a falta de combustível afeta a capacidade de fazer manutenção e ativações – uma delas chegou a pedir à Anatel o abastecimento preferencial da frota nos mesmos moldes da polícia.
Veja os protestos em cada estado:
Acre
Alagoas
Amapá
Bahia
Ceará
Distrito Federal
Espírito Santo
Goiás
Maranhão
Mato Grosso
Mato Grosso do Sul
Minas Gerais
Pará
Paraíba
Paraná
Pernambuco
Piauí
Rio de Janeiro – Região dos Lagos, Região Serrana, Sul e Costa Verde, Norte fluminense
Rio Grande do Norte
Rio Grande do Sul
Rondônia
Roraima
Santa Catarina
São Paulo – Centro-Oeste, Campinas, Itapetininga, Mogi e Suzano, Piracicaba, Prudente, Ribeirão e Franca, Noroeste, Baixada Santista
Sergipe
Tocantins

Fonte: G1

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