Em 2016, Guilherme Arantes celebrou 40 anos de carreira solo que teve como marco inicial o sucesso da balada Meu mundo e nada mais (1976), composta pelo artista paulistano e propagada em escala nacional na trilha sonora da novela Anjo mau (TV Globo). A comemoração abrangeu a edição da monumental caixa Guilherme Arantes 1976 – 2016 – produzida pelo próprio Arantes com caprichadas edições em CD de 21 dos 26 álbuns da obra fonográfica solo do cantor e compositor – e série de vídeos documentais disponibilizados na web.

Nesses vídeos, Arantes – em foto de Vânia Toledo – revelou minuciosamente o processo de criação dos discos e de músicas do cancioneiro autoral do compositor. Lançado pelo selo Coaxo do Sapo neste mês de abril de 2018, com distribuição feita via Canal 3, o DVD triplo Uma viajante alma paulistana perpetua tais vídeos, documentando a trajetória luminosa do artista no universo pop do Brasil ao longo de sete temporadas que vão desde os primórdios da carreira de Arantes – revelado em 1974 como integrante do grupo de rock progressivo Moto Perpétuo – até o ano revisionista de 2016.

Orquestrado coletivamente, sob a batuta dos diretores Giuliano Gerbasi e Rodrigo Ceccato, além do comando do próprio Arantes, a série entrelaça histórias e curiosidades sobre as músicas (e os álbuns) com imagens de clipes da época e com novos registros de mais de 90 músicas do cancioneiro do compositor. Detalhista, o documentário revela segredos do processo de criação do artista e também casos de bastidores que interferiram para o bem ou para o mal nessa criação.

Com a palavra, Guilherme Arantes: “Se eu escrevesse um livro com as histórias, os sons, acordes e temas não estariam ali, ficariam no silêncio da leitura. Se eu produzisse um DVD comemorativo para compartilhar com um público ao vivo (pela enésima vez) as vitórias do sucesso, estaria frustrando esse anseio de contar as histórias. Achei melhor arregaçar as mangas e produzir um (longamente sonhado) documentário, recheado de caminhos musicais e poéticos que me trouxeram até aqui. Ao invés de privilegiar a linguagem de arena que pontua as produções comemorativas, eu queria muito mergulhar numa linguagem de câmara – com o intimismo de poder falar para o espectador de maneira individualizada, ao invés da forma coletivizada que a cultura de arena se acostumou a explorar”, compara o artista.

A intenção foi criar uma aura de intimidade entre o artista e o espectador. “Eu queria que a pessoa que assistisse ao meu documentário de 40 anos se sentisse me fazendo uma ‘visita exclusiva’, numa sala de estar, com vários pianos, o órgão, o cravo, com livros e discos, e um roteiro cuidadosamente alinhavado pela minha memória, e, com valiosas pesquisas auxiliares a essa memória, que nada escapasse de cada época. O que líamos? O que ouvíamos? Que filmes, que fatos, e quais segredos preciosos poderiam fazer dessa jornada uma viagem mais interessante do que a mera exaltação da palavra ‘sucesso’, a essas alturas já tão proferida e (quase) sem mais nenhum significado”, ressalta Arantes.

De fato, o DVD Uma viajante alma paulistana traça o roteiro da vida artística de Arantes com sinceridade rara em produtos do gênero, descortinando os bastidores à medida em que expõe as glórias e as vicissitudes experimentadas pelo artista nessa bem-sucedida rota solo que já totaliza 42 anos.

Fonte: G1

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