Ivy Morais é cantora e compositora nascida na cidade de Montes Claros (MG) e criada em Governador Valadares (MG). Mas foi no circuito carioca de bares como Bip-Bip e Carioca da Gema que Ivy vem soltando a voz afinada desde o início dos presentes anos 2010. Foi também nesse circuito que a artista começou a pavimentar o caminho que veio dar no mar que pauta o repertório inteiramente autoral do conceitual primeiro álbum da cantora, Na ponta do remo, lançado neste mês de abril de 2018 por vias independentes.

Pela natureza do repertório do disco e pela origem da artista, o epíteto Iemanjá mineira vem sendo creditado a Ivy e evocado nas fotos de divulgação de Bruna Castanheira. Mas é na geografia do samba carioca que ela se apresenta como compositora de cancioneiro que destaca o samba E onda levou, primeira das 11 músicas autorais do disco produzido pelo percussionista Pantico Rocha.

“A estrada só faz sentido no caminhar / O samba é o nosso braseiro / Faz sol no Rio de Janeiro / E nosso amor tem vista para o mar”, poetiza a compositora em versos de Vista para o mar. Nas águas do álbum Na ponta do remo, Ivy abarca Lenine – convidado de Canto de esperança, outro destaque da safra marítima – e Karine Telles, cantora com quem a anfitriã leva o samba Quem me dera.

Exemplo do tom brejeiro de parte do álbum, o samba Só pra te olhar entra na roda da Bahia com arranjo de Paulo Dafilin, citando ao fim verso de Alguém me avisou (Dona Ivone Lara, 1980). Se o bolero invade o samba-canção Armadilha de flores, Canção baldia dança no (com)passo de uma valsa tão lírica quanto “fora de moda”, como avalia a própria autora em verso da composição que fecha o CD.

Além de tocar os violões, cavaco e bandolins do disco, Pedro Franco assina quase todos os arranjos do álbum Na ponta do remo, acertando o tom do samba de Ivy Morais, de quem é parceiro na composição de Drink music.

Como a antecessora Clara Nunes (1942 – 1983), emblemática voz de repertório afro-brasileiro ao longo da década de 1970, Ivy Morais veio de Minas Gerais para o Rio de Janeiro para tentar se manter na roda nacional do samba. Disco promissor, Na ponta do remo sinaliza que a Iemanjá mineira não deverá morrer na praia…

Fonte: G1

Responda