Ele fez posts críticos no Instagram mas depois apagou. Apoiador de Trump, músico é sobrevivente do ataque à casa de shows Bataclan, em Paris, no atentado de 2015.

Jesse Hughes, vocalista da banda de rock Eagles of Death Metal, que tocava quando extremistas islâmicos armados atacaram a casa de shows Bataclan, em 2015, em Paris, chamou “patética” a mobilização do fim de semana nos Estados Unidos por um maior controle às armas de fogo.

Conhecido pelas declarações polêmicas, Hughes acusou, ainda, de traição uma das principais promotoras da mobilização, a jovem Emma González, uma das sobreviventes do ataque a tiros em uma escola em Parkland, na Flórida, em fevereiro.

Este ataque fez ressurgir o debate sobre o controle de armas no país, onde centenas de milhares de pessoas marcharam no sábado nesta que foi considerada a maior mobilização do tipo em duas décadas.

Em vários posts no Instagram, apagados logo depois, Hughes, de 45 anos, acusou os sobreviventes de Parkland de perderem “vários dias de escola para matar aula às custas do sangue de seus colegas”.

Na chacina de Parkland, morreram 14 estudantes. Os outros três falecidos no ataque eram adultos que trabalhavam na instituição.

“Como sobrevivente de um ataque a tiros em massa, posso dizer-lhes em primeira mão que protestar e perder aulas insulta a memória de quem foi assassinado e suas ações insultam a mim e a todos os amantes da liberdade”, escreveu.

Ele também compartilhou uma fotomontagem de González – em que a jovem aparece rasgando a Constituição dos Estados Unidos -, referindo-se a ela como “a face horrível da traição” e uma “sobrevivente de nada”.

Hughes, roqueiro de direita e ferrenho apoiador do presidente Donald Trump, também qualificou as manifestações como atos de “uma juventude equivocada e comunistas maléficos”.

O agente do cantor ainda não respondeu aos pedidos de comentários da AFP.

Vários fãs da banda pediram nas redes sociais o boicote às suas músicas.

O Eagles of Death Metal estava no palco do Bataclan em 13 de novembro de 2015, quando extremistas islâmicos lançaram ataques que também alvejaram um estádio de futebol, bares e restaurantes.

Cento e trinta pessoas morreram. Só na casa de shows faleceram 90 pessoas.

Sobre o ataque, Hughes chegou a insinuar que o atentado pode ter sido preparado do interior da casa de shows, com a ajuda de guardas, e que no momento do ataque havia muçulmanos comemorando na rua.

Após estas declarações, a casa de shows e vários festivais franceses cancelaram apresentações já programadas.

Fonte: G1

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