Na certidão de nascimento, o nome dele era Horondino José da Silva (5 de maio de 1918 – 27 de maio de 2006), mas todo mundo no meio musical o conhecia pelo apelido de Dino Sete Cordas, adotado paulatinamente a partir de 1954 quando este extraordinário músico carioca mandou construir o primeiro violão de sete cordas para uso próprio. O primeiro de muitos que tocou até sair de cena, aos 88 anos, há 12 anos, já entronizado na galeria dos grandes nomes do violão do Brasil. Um dos maiores. E talvez o mais influente até hoje.

Compositor e arranjador, além de violonista autodidata, Dino foi tão excepcional que o centenário de nascimento do artista poderia estar sendo festejado com mais pompa pelo universo musical neste mês de maio de 2018. Instrumento cuja técnica e linguagem puramente brasileiras foram depuradas por Dino, o violão de sete cordas pautou os caminhos do músico como integrante do Regional de Benedito Lacerda (no qual ingressou em 1936) e Época de Ouro (no qual entrou 30 anos mais tarde, em 1966, para permanecer até o fim da carreira).

Nestes conjuntos, Dino exercitou a maestria no toque das sete cordas. Dino não foi o primeiro a trazer um violão de sete cordas para o universo do samba e do choro. Mas foi o primeiro a ficar célebre pelo toque do instrumento nos conjuntos regionais da fase pré-Bossa Nova, desenvolvendo uma linguagem brasileira de tocar as sete cordas que acabou influenciando violonistas igualmente geniais como Raphael Rabello (1962 – 1995) e Yamandu Costa.

Como acompanhante de solistas vocais, Dino fazia contrapontos às melodias através do toque das cordas mais graves do violão. Dino fazia baixarias, para citar termo usado no jargão dos músicos de choro. Tinha ouvido excepcional, atributo que lhe abriu caminho para que se tornasse um virtuose referencial no manuseio das sete cordas do violão.

Como arranjador, Dino Sete Cordas também se revelou excepcional. Basta mencionar os arranjos criados pelo mestre para o tardio primeiro álbum solo de Cartola (1908 – 1980), lançado em 1974.

Enfim, nascido há 100 anos, Horondino José da Silva continua sendo um dos maiores nomes do violão brasileiro de todos os tempos.

Fonte: G1

Responda