A vida do zagueiro Pedro Henrique, do Corinthians, mudou em agosto do ano passado. Foi quando nasceu Pietro, primeiro filho do jogador, que na época tinha apenas 21 anos.

A paternidade trouxe não apenas alegria ao lar de Pedro e de sua esposa, Carol, mas também ajudou o atleta a amadurecer.

– Nos motiva bastante, você pensa: “Tenho um filho, uma esposa, duas pessoas que dependem de mim. Tenho que dar o meu melhor”. Graças a Deus, com o nascimento dele amadureci bastante – afirmou.

Com Balbuena na seleção paraguaia, Pedro Henrique será titular do Timão na semifinal do Campeonato Paulista, contra o São Paulo, neste domingo, às 16h (de Brasília), no Morumbi. Antes das decisões, ele recebeu a reportagem do GloboEsporte.com em seu apartamento e falou sobre o momento na carreira.

Aos 22 anos, ele diz estar pronto para se firmar na equipe e admite que se chateou ao perder a vaga no time para Henrique, no mês passado.

Na entrevista, o zagueiro falou sobre suas inspirações, o fato de ter cometido apenas uma falta na temporada e projetou o Majestoso deste domingo. Confira:

GloboEsporte.com: Como encara essa nova chance como titular do Corinthians?
Pedro Henrique: É uma honra ter mais essa oportunidade em um jogo grande, um clássico, partida que todos querem jogar. Vou ter essa chance e, se Deus quiser, farei uma grande partida.

Você esperava já ter jogado contra o Bragantino. Ficou frustrado?
– Eu entendo o lado do Balbuena, de querer jogar também. Ele é um grande jogador, mostrou isso no ano passado ao lado do Pablo e do meu lado. É uma referência do grupo, um líder, sempre importante para o grupo. Agora ele vai servir a seleção paraguaia e eu terei a chance de substituí-lo.

Neste Paulistão você cometeu apenas uma falta. É algo natural ou você se preocupa em jogar limpo?
– Eu sou um jogador que viso somente a bola. Aprendi muito com o Tite, que falava “só a bola, sem falta”. O Carille também diz isso. Neste ano fiz somente uma falta no Campeonato Paulista, e ano passado fiz 22 jogos do Brasileiro sem tomar nenhum cartão.

Dá para manter isso no clássico?
– Vai ser um jogo de muita pegada, é inevitável fazer uma falta ou tomar cartão. Se precisar matar um contra-ataque, tem que tomar essa atitude. Quando é clássico, a gente esquece isso.

Quando o Pablo saiu você achou que era a sua vez?
– Sem dúvida. Estava esperando essa oportunidade. Fiz 22 jogos no Brasileiro do ano passado, 30 na temporada. Foram muitos jogos para um suplente. No primeiro turno do Brasileiro fizemos 12 jogos e não perdemos nenhum.

– Eu esperava ser titular, comecei o ano assim, mas, infelizmente, as coisas não são como a gente imagina. Continuei trabalhando, me dedicando nos treinamentos, chegando antes e saindo depois, fazendo treinos complementares… Agora é aproveitar essa nova oportunidade e, quem sabe, fazer um grande jogo e deixar essa dúvida na cabeça do professor.
Você e o Balbuena se deram bem no início deste ano, não é?
– Ele é um cara de quem procuro pegar algumas coisas quando está treinando. Trata-se de um zagueiro experiente, apesar da pouca idade. Um cara de qualidade, de seleção, é fácil jogar ao lado dele.

O que você tenta copiar e aprender com ele?
– Ele tem um tempo de bola muito bom, é o diferencial dele. Isso é visto nos gols que ele faz, nas bolas pelo alto que ganha na defesa. Com a bola no pé, também tem muita qualidade. É um zagueiro completo.

Você também se arrisca no ataque…
– Graças a Deus pude fazer dois gols no ano passado, esse ano fiz um de cabeça contra o Novorizontino. Vou pegando nos treinamentos, melhorando o que tenho que melhorar, pois sou novo.

Como será jogar ao lado do Henrique?
– Não tem muito segredo. É fazer o que eu já vinha fazendo. Ele também tem muita qualidade, fácil jogar do lado dele, assim como é do lado do Balbuena.

Com ele, você deve ficar pelo lado direito e não esquerdo da zaga. O que muda com isso?
– Não muda nada, até porque estou acostumado a jogar dos dois lados. Na direita, é um pouco mais fácil para mim, pois sou destro. O que o professor Carille decidir na semana, vou acatar e estar pronto.

Você já se sente pronto para ser titular?
– Venho trabalhando, neste ano fiz grandes jogos… Eu me considero pronto, mas, infelizmente, o futebol traz coisas que não esperamos. É continuar trabalhando, como o professor falou, sem desanimar. Tenho muito a crescer. Vou continuar quietinho, tenho certeza de que Deus vai abrir portas lá na frente.

O Carille teve uma conversa quando te tirou do time?
– Depois do jogo contra o Santo André, a gente teve uma folga e, quando voltamos, ele me chamou na sala dele e falou que iria iniciar o jogo com o Henrique. Ele foi bem aberto, falou para eu não desanimar, continuar trabalhando, que as coisas dariam certo lá na frente. Foi o que eu fiz. A gente fica triste no começo, qualquer jogador ficaria por perder a vaga. Mas é com trabalho que a gente conquista as coisas.

O que o Carille argumentou para te tirar?
– Ele não chegou a argumentar, só falou que iria iniciar com o Henrique e que era para eu não desanimar. Eu já imaginava, pela bagagem que o Henrique tem. Fiquei chateado no começo, mas entendo.

O que espera deste jogo contra o São Paulo, que vem oscilando?
– Será um jogo muito difícil. Os técnicos vão sobressair. No primeiro jogo que tivemos, o Carille mudou algumas coisas e acabou dando certo. É uma partida de dois times grandes. Teremos que fazer um bom resultado no Morumbi e levar a vantagem para a Arena Corinthians, como a gente gosta. Se a gente mantiver a pegada do jogo contra o Bragantino e dos clássicos, tenho certeza de que faremos um grande jogo.

Quantos clássicos você já jogou?
– Contra o Santos, que ganhamos, na Arena; contra o Palmeiras, que entrei no final, e vencemos, fora; e contra o São Paulo, neste ano, também com vitória. Tomara que domingo eu dê a mesma sorte.

Clássico é um jogo diferente, não é?
– Muda a nossa cabeça. É um jogo grande, em que queremos dar o nosso melhor.

O que achou de pegar o São Paulo, que não vem numa fase tão boa. O Corinthians deu sorte?
– Não. Será um jogo difícil. Tivemos dificuldades contra eles na vitória por 2 a 1. Clássico é decidido nos detalhes, um erro pode custar caro. Quem tiver mais concentração vai sair vitorioso.

É melhor do que pegar o Palmeiras, que vem embalado, não?
– Eu não escolheria adversário. Se tivesse que ser Palmeiras, Santos… Entraríamos com a mesma vontade. Vamos passar por isso no Brasileiro. A gente não escolhe rival, tem que fazer nosso papel em campo.

Em qual zagueiro você se inspira?
– Eu gostava muito quando o Gil jogava no Corinthians, não só por ser meu companheiro. Gosto muito também do Sérgio Ramos, que é um jogador de velocidade, bom de cabeça, bate falta, pênalti… E também o Marquinhos que, como eu, subiu da base do Corinthians.

Fonte: GloboEsporte

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