Cicinho anunciou nesta terça-feira, em entrevista no Morumbi, sua aposentadoria dos gramados. Após rescindir com o Brasiliense na semana passada, o lateral-direito pediu ao São Paulo para usar a estrutura do clube no pronunciamento sobre seu futuro – o Tricolor até divulgou um vídeo misterioso, com a famosa música da caixa postal do jogador, para viralizar na internet. Em semana de clássico com o Palmeiras, momentos marcantes contra o rival também foram assunto na entrevista do agora ex-jogador.

– Esse pronunciamento é pelo meu futuro. E nada melhor, nesse momento tão importante, do que ser feito no lugar que me deu direção para o futebol. Estou aqui para falar do meu encerramento no futebol, devido a problemas no joelho. Voltei a jogar no Brasiliense não por dinheiro, mas por um sonho de voltar a jogar em alto nível. Estou aqui para anunciar minha aposentadoria. Agradeço por essa oportunidade. Eu me sinto realizado. Estou feliz, tranquilo por essa decisão, tomada em comum acordo. Esse problema de cartilagem, edema ósseo vem me acompanhando há um ano. Para continuar jogando, precisaria de uma cirurgia mais agressiva, que me tiraria dos gramados por mais seis meses – disse Cicinho, agora ex-jogador, aos 37 anos.

Em sua entrevista de despedida dos campos, o jogador lembrou o destaque alcançado em clássicos contra o Palmeiras – adversário de quinta-feira pelo Paulistão.

– Não tem como esconder que o momento mais marcante da minha carreira foi naquela vitória contra o Palmeiras (na partida de ida das oitavas de final da Libertadores de 2005). Eu cheguei no vestiário e ouvi do Rogério Ceni, do Lugano, que seria impossível a gente não ser campeão depois de um gol de esquerda, na casa do rival, e do Cicinho. Não tinha como não ser campeão – lembrou Cicinho.

– Tive o privilégio de fazer gols contra o Palmeiras. Fiz gol de esquerda. No segundo jogo, fiz um gol no fim do jogo, que foi o de número 10 mil da história da Libertadores, fiz em outro clássico também. Sempre houve essa rivalidade com o Palmeiras, e eu pude contribuir da melhor maneira possível. Somente lembranças boas.

Pelo São Paulo, onde ganhou maior projeção nacional, Cicinho conquistou três títulos. Foi campeão paulista, da Libertadores e mundial em 2005.

O ex-lateral recebeu uma homenagem do clube, uma camisa 2 enquadrada com uma placa. Foi exibido também um vídeo com mensagens de ex-companheiros de Cicinho. Estavam presentes no evento no Morumbi o presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, e Lugano (diretor de relações institucionais). O zagueiro foi companheiro de Cicinho nas conquistas pelo São Paulo.

– O São Paulo homenageia Cicinho pela defesa dos nosso ideais, pela vitoriosa carreira e pelos gols inesquecíveis que nos ajudaram a conquistar a América e o mundo – dizia a placa.

Na sequência, o presidente Leco e Lugano falaram sobre Cicinho:

– Estou aqui de novo tendo a oportunidade de fazer uma homenagem a um jogador vitorioso, assim como foi com o Lugano, no fim do ano passado. O São Paulo é que se sente homenageado pelo que vocês fizeram – disse o presidente.

– Primeiro quero agradecer em nome dos companheiros da nossa geração. E depois em nome do clube que respeita um ídolo como você. Não só por ter sido campeão de tudo, mas por sempre citar o São Paulo e os companheiros. Você é fiel à nossa história – falou Lugano.

Cicinho, convocado para a Copa do Mundo de 2006, fez 17 jogos pela seleção brasileira e anotou um gol no amistoso contra os Emirados Árabes, em novembro de 2005, em goleada por 8 a 0.

Veja abaixo um resumo da carreira de Cicinho:
Cicinho (Cícero João de Cézare)
Idade: 37 anos
Posição: lateral-direito
Clubes: Botafogo-SP, Atlético-MG, Botafogo, São Paulo, Real Madrid, Roma, Villarreal, Sport, Sivasspor-TUR e Brasiliense
Títulos: Copa das Confederações (Seleção Brasileira) de 2005; Copa Libertadores da América (2005), Mundial de Clubes da Fifa (2005), Campeonato Paulista (2005), Campeonato Espanhol (2006-2007), Copa da Itália (2007-2008) e Supercopa da Itália (2007-2008)

Outros trechos da entrevista:
Sobre o vídeo dos jogadores de 2005
– Eu sabia que quando tomei a decisão de fazer a coletiva aqui que tudo que estava no meu coração ia ser realizado. Quando estava em alto nível na Turquia, eu queria jogar novamente no São Paulo. Estou voltando ao São Paulo para fazer uma despedida. Cada um falando meu apelido, tipo carinhoso de me chamar. Isso que vai ficar na memória. Sou privilegiado por ter jogado com tantos jogadores como esses. Tomei muita dura do Lugano. Isso me ajudou muito na minha carreira.

Repensou ir ao Real Madrid
– A chegada no aeroporto, depois do Mundial de 2005, com todo mundo abraçando o time… Aquilo foi um momento marcante e me fez repensar, porque eu já tinha contrato assinado com o Real Madrid. Mas o São Paulo me deu toda segurança. Nós tinhamos uma famíia ali.

Futuro
– Pretendo tirar alguns meses com a família. A vida do atleta é muita concentração. Tenho um projeto de escolinha no interior de Goiás, de um centro esportivo. É o que estou projetando para o futuro. Mas não descarto a possibilidade de continuar trabalhando no futebol, em um grande clube. Mas agora vou viajar um pouco. Colocar um pudim na frente e comer sozinho. Mas não posso exagerar, porque minha esposa cobra boa forma.

Problemas com álcool
– O São Paulo que descobriu essa problema. Foram feitas algumas perguntas e foi detectado que eu tinha alguns problemas devido ao álcool. Eu estava numa depressão. Existem vários tipos de depressão. E a minha eu escondia atrás do álcool.

Raí no Mundial de 2005
– Nós, são-paulinos, sabemos da importância do Raí. Todos do esporte, na verdade, sabem. E você ter o Raí ali, como chefe da delegação. Isos nos deixou muito feliz. Foi um incentivo a mais.

Fonte: GloboEsporte

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