Nos últimos 24 anos, o Rio de Janeiro gastou R$ 2,3 bilhões com o pagamento de pensões a famílias de policiais militares mortos em casos de violência. O valor inclui pensões pagas para parentes de PMs assassinados em serviço ou de folga.

A estimativa foi feita pela Diretoria de Assistência Social (DAS) da própria Polícia Militar para mostrar o rombo que a violência contra os policiais causa nas contas do RJ.

As contas mostram que só em 2017 foram pagos R$ 208,3 milhões com o pagamento de pensões a famílias de PMs mortos, feridos ou com os salários de policiais afastados no setor de psiquiatria. Nesta quinta-feira (3), o capitão Stephan Contreiras, de 36 anos, chefe do Serviço Reservado do 18º Batalhão (Jacarepaguá), foi morto no que a polícia considera ter sido uma tentativa de assalto.

O capitão tinha 12 anos de polícia. Ou seja, ainda teria 18 anos a cumprir de serviço mas que não estará mais nas ruas.

Oficiais da própria corporação defendem que um investimento na proteção dos agentes que são atacados enquanto estão de serviço poderia, além de poupar parentes, colegas de farda e amigos de um enorme sofrimento, resultar em economia de recursos do estado.

“Se o governo investisse na blindagem, de nível 3A (para tiros de pistolas), de todos os 3 mil carros da corporação gastaria R$ 105 milhões, por exemplo. Isso já poderia evitar um número considerável de mortes. A gente precisa prevenir e cuidar desses policiais que estão sendo caçados nas ruas”, afirma o coronel Fábio Bastos Cajueiro, diretor do setor de Assistência Social da PM do Rio de Janeiro.

A ideia de colocar uma blindagem nos carros é que a maioria dos disparos contra policiais são de pistolas. Em 70% dos casos, de acordo com dados da própria corporação, são disparos feitos na parte dianteira dos veículos.

Os crimes contra policiais se concentram na Região Metropolitana do RJ, ou seja, nos municípios do Rio, São Gonçalo, Niterói, Itaboraí ou na Baixada Fluminense. Nesta região, a PM concentra 1.500 veículos de sua frota. Ou seja, a proteção instalada, como sugerida pelo coronel, custaria algo em torno de R$ 52,5 milhões. Na semana passada, a PM recebeu 265 novos carros para patrulhamento. Nenhum com proteção instalada.

PMs atingidos entre 1994 e 2017

3.397 PMs foram mortos
15.236 PMs feridos

Associação relata atrasos
A estimativa do setor foi apresentada em um seminário organizado pelo Ministério Público estadual e obtida pelo G1. O levantamento tomou por base o salário médio de um policial (cerca de R$ 6 mil) e a média de 26 PMs mortos em serviço por ano. Os mortos em folga são quatro vezes mais, de acordo com o coronel Cajueiro. O estudo não conseguiu descobrir quanto se gastou com médicos, psicólogos, enfermeiros, fisioterapeutas, medicamentos, cirurgias, exames e internação em hospitais.

“Ainda tem o outro lado. Com a crise, as pensões atrasam e não tem reajustes como deveriam. Mensalmente, demoram a ser pagas. Não basta apenas discutir a situação do policial baleado ou morto. É preciso reformular o sistema e se fazer algo realmente profundo. Caso contrário, isso não vai parar”, desabafou Vanderlei Ribeiro, presidente da Associação de Praças da corporação.

“O impacto disso [pensões] é muito grande para o orçamento. Porque a instituição tem que pagar pela perda e ainda repor. Perde-se uma vida e isso é um custo: social e financeiro. Onera a situação previdenciária e nenhuma previdência aguenta uma situação dessas”, afirma o deputado estadual Luiz Paulo Corrêa, da Comissão de Orçamento da Assembleia Legislativa (Alerj).

Fonte: G1

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