É difícil traçar paralelo entre o segundo álbum de Karyme Hass – Amor solene (2008), lançado há dez anos com repertório pop e com produção de Nilo Romero – e o bom disco de samba atualmente promovido pela cantora que atende pelo nome artístico de Branka e que é vista ao alto em foto de Márcio Freitas. Mas há traço de união entre Amor solene e Trilogia Flores Douradas – A flor, álbum que sai em CD neste mês de abril de 2018 seis meses após ter sido lançado em edição digital em outubro de 2017 via Universal Music. O elo é a cantora. Branka e Karyme Hass são a mesma pessoa.

Cantora e compositora curitibana, Karyme se metamorfoseou em Branka quando migrou para a cidade do Rio de Janeiro (RJ) e entrou na roda do samba carioca. O álbum anterior da artista, Barra da saia (2015), ainda foi assinado pela cantora como Karyme Hass, mas já havia ali a transmutação em sambista que se consolida no presente disco. O produtor de Barra da saia, Carlinhos Sete Cordas, inclusive é o mesmo do álbum atual, que chegou ao mercado fonográfico com o aval de bambas como Moacyr Luz e Nei Lopes, autores de entusiásticos textos sobre Branka e sobre o disco, reproduzidos no encarte da edição em CD de Trilogia Flores Douradas – A flor.

O repertório de Branka parte da roda carioca e se estende até o Nordeste, como exemplificam o baião Olho de graúna (Zé Katimba e Roque Ferreira), a sertaneja Horizonte (Branka) – música arranjada com sensibilidade por Rildo Hora – e o xote Rio Santo, parceria de Branka com Toninho Nascimento.

A propósito, Toninho Nascimento foi compositor recorrente na discografia de Clara Nunes (1942 – 1983), luminosa cantora mineira evocada no álbum de Branka por sambas como Banho de mar (Branka e Carlinhos Sete Cordas) e Clareia (Norma Acquarone). Banho de mar, aliás, tem a adesão vocal do bamba Arlindo Cruz em gravação feita antes de o artista se retirar de cena ao ser internado em março de 2017 por conta de AVC.

Contudo, mesmo que transite na ponte Rio-Nordeste ao longo das 18 músicas do (longo) álbum, Branka se mostra como sambista. O samba dá o tom do disco, seja no terreiro ou no salão de gafieira em que evolui Amor e luta, samba composto e gravado por Branka com Xande de Pilares.

Fonte: G1

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