Um tiroteio por volta das 20h30 desta sexta-feira (16) no Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio, deixou três pessoas mortas, entre elas uma criança de 1 ano. Outras quatro pessoas ficaram feridas, entre elas, a mãe da criança. Um dos feridos foi preso, suspeito de praticar assaltos e atirar contra os PMs. A informação foi confirmada pelo porta-voz da Polícia Militar, o major Ivan Blaz, que afirmou que todos foram vítimas de balas perdidas durante uma perseguição na região.

Além desses 40, o G1 também registrou no período os assassinatos de dois suplentes de vereador (Roberto da Conceição Margarido, de Itatiaia-RJ, e Ueliton Brizon, de Cacoal-RO) e um ex-vice-prefeito (José Roberto Soares Vieira, de Ourolândia-BA).

A morte de Marielle levou milhares de pessoas às ruas em todo o país em protestos contra o assassinato e a onda de violência na cidade. O Ministério Público avalia pedir a federalização das investigações. O governo federal diz que concentrará “todos os esforços” para identificar e prender os assassinos.

O PSOL, partido ao qual Marielle Franco era filiada, informou ter registrado, desde 2016, 24 mortes de pessoas ligadas a movimentos sociais (quilombolas, indígenas, sindicalistas, MST, etc.) em razão das atividades políticas desenvolvidas por elas.

Em 2016, somente no período eleitoral, a violência contra candidatos atingiu pelo menos 17 estados e levou a 28 mortes. À época, 25 mil militares das Forças Armadas foram destacados para fazer a segurança das eleições, e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pediu à Polícia Federal que investigasse os crimes.

‘Perseguição’
Para o integrante da coordenação nacional da Pastoral da Terra, Paulo Cesar Moreira, a morte de Marielle não é um caso “isolado”. Isso porque, na avaliação dele, a defesa das pessoas das periferias e do campo “passa por um momento de acirramento e conflito, marcado pela impunidade”.

Segundo Moreira, há uma “seletividade” nas “perseguições” e assassinatos de lideranças que defendem direitos de pessoas que vivem em periferias ou que buscam o acesso à terra.

“Em geral, as perseguições e assassinatos visam pessoas com visibilidade, lideranças bem articuladas e com lucidez política, que conseguem levar sua mensagem adiante, como era o caso de Marielle”, afirmou ao G1.

Moreira entende que Marielle se enquadrava neste contexto, já que era negra, criada na periferia e, após ser eleita vereadora com mais de 46 mil votos, se tornou uma “voz forte” em defesa de minorias. Para ele, a militância da parlamentar a tornou um alvo.

“Marielle tinha autoridade para falar dos problemas das pessoas que vivem nas periferias, sobre a violência das autoridades e do Estado. A perda é grande, porque temos poucas pessoas no Legislativo com essa autoridade, com esse conhecimento de causa”, disse.

Fonte: G1

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